Pontos essenciais do debate entre Inês Sousa Real e Luís Montenegro 

12-02-2024

Metade do debate foi para falar dos direitos das mulheres, ambiente e direitos dos animais. O mesmo começou com ataques da líder do PAN a Luís Montenegro. Inês Sousa Real acusou a Aliança Democrática de ser composta por líderes políticos que acham legítimo bater nas mulheres. E por isso, o PAN recusa qualquer acordo com esta coligação. Luís Montenegro afirmou ser abusivo trazer um acontecimento isolado, desconhecendo as afirmações de Gonçalo da Câmara Pereira. O líder do PSD lembrou o espírito da AD, composta por Sá Carneiro, Gonçalo Ribeiro Telles e Freitas do Amaral, e a intenção de reeditar esse espírito que foi marcante para o país, olhando agora para o futuro. Acentuou a ideia que não se revê nas declarações do líder do PPM, desculpando-o por achar que o mesmo também não se revê no que disse. Continuou por dizer que serão implacáveis no domínio da violência doméstica. Já Inês Sousa Real criticou a incoerência da AD em relação aos parceiros que escolheu. A mesma lembrou que se assinala 17 anos do referendo que legalizou a interrupção voluntária da gravidez e a AD e seu pensamento, nomeadamente o de Nuno Melo e Gonçalo da Câmara Pereira são ameaças aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e à saúde das mulheres. Inês Sousa Real concluiu por dizer que a agenda da AD não se encaixa com o PAN pois o seu partido é "um partido progressista e de olhos postos no futuro", nomeadamente na questão dos valores do século XXI, no combate às alterações climáticas, no combate dos direitos das mulheres e da comunidade LGBT, temas que a AD é "negacionista". O líder do PSD acusou Inês Sousa Real de ver na AD um conjunto de perigos que não existem, realçando as medidas na saúde no plano de emergência, com especial foco na reformulação nas urgências, nomeadamente nas urgências de obstetrícia e de pediatria, exatamente a pensar na saúde materna. Continuou por criticar a líder do PAN, afirmando que não aceita que coloquem em causa a participação do PSD nas políticas de proteção dos animais, lembrando que a primeira lei sobre os animais tem o cunho do PSD em 2014. Já Inês Sousa Real acusou o PSD de defender o IVA para as touradas, defender barbaridades como houve na herdade da torre Bela ao convidar o ex presidente da CAP para representar a AD por Santarém e a visão destorcida sobre o mundo rural e daquilo que é agricultura de inovação e precisão. Reforçou a ideia dos portugueses contarem com o PAN e a sua agenda progressista. Luís Montenegro acusou Inês Sousa Real de aparecer no debate com "uma ladainha", a propósito das posições da AD, que não correspondem à verdade. Afirmou que o PSD tem uma história que quer do ponto de vista ecológico, quer do ponto de vista animal, o PAN ainda "tem que correr muito". Inês Sousa Real criticou o PSD por não acompanhar o PAN quando estes propuseram o incentivo à agricultura biológica e os modos de reconversão para boas práticas. Sobre a luta dos bombeiros e dos polícias, a líder do PAN defende a valorização profissional, quer no reconhecimento do subsídio de risco, quer ao direito à reforma antecipada. Criticou o PSD e o PS por terem rejeitado esta proposta no final da anterior legislatura. A mesma lembrou que o PSD votou contra a suspensão dos projetos da operação Data Center, assim como adiou potestativamente a lei que visava regulamentar o lobby e garantir a transparência no nosso país. Já Luís Montenegro afirmou não fazer sentido um pacto de regime entre as forças políticas antes das eleições sobre a reivindicação dos bombeiros, justificando que esta é a altura de confrontar os programas. Contudo, considera que o problema reside nas condições que se pode dar quer aos voluntários, quer para os profissionais, defendendo a criação de um estatuto do bombeiro. O líder do PSD entende que faz sentido estudar um modelo remuneratório e um modelo de carreira para os bombeiros. Inês Sousa Real afirmou fazer todo o sentido haver um pacto de regime já nesta fase. A mesma acha que devemos chegar a um compromisso, no imediato. A líder do PAN acusou Luís Montenegro de ter uma bancada parlamentar com 77 deputados e o PAN, apenas com 1, fez aprovar mais medidas do que os sociais democratas, influenciando assim a governação. E fez lembrar quais foram, como o alargamento da tarifa social para 200 mil famílias, como conseguiram através da taxa de carbono sobre a navegação e aviação, financiar os passes sociais em mais de 90 milhões de euros e assim como conseguiram uma licença para a restruturação de vida das vítimas de violência doméstica. A líder do PAN defende o acesso dos jovens ao crédito bonificado e o acesso ao arrendamento acessível através do "Porta 65", esta última, já enunciada pelo líder do PS, Pedro Nuno Santos. Continuou por defender a gratuidade das creches em toda a zona do país e na impossibilidade de vagas, seja o Estado a cobrir esse custo no privado. Na saúde, Inês Sousa Real defende que devemos colmatar lacunas na saúde mental e na saúde materna-infantil. A líder do PAN reafirmou que um voto na AD "será um voto contra o direito das mulheres, será um voto contra a proteção animal", pelo que não irá dialogar com a AD. Já Luís Montenegro respondeu à líder do PAN, dizendo que respeita a sua agenda política e o seu trabalho parlamentar. Contudo criticou Inês Sousa Real por não assumir todo o legado da governação do PS, ao invés de se vangloriar pelas medidas que fez aprovar. O líder do PSD continuou criticando a líder do PAN, acusando-a de não ter influenciado na redução dos impostos e não ter resolvido os problemas na habitação e consequente emigração. A líder do PAN lembrou Luís Montenegro, que foi pela sua mão que fez poupar mais de 119 milhões de euros às famílias, ao acabar com as comissões abusivas que eram cobradas pela banca no âmbito da prestação da casa. Para terminar o debate, Luís Montenegro não se comprometeu com nenhuma posição sobre a morte medicamente assistida, afirmando que vai aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional, por uma questão de segurança jurídica. Ficaram de fora novamente os temas da Justiça e política externa.

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