Pontos essenciais do debate entre Mariana Mortágua e Paulo Raimundo

O debate começou pelas possíveis coligações de esquerda. Mariana Mortágua defende um acordo pré-eleitoral com o PS para dar mais clareza aos eleitores mas que o mesmo rejeitou. A mesma considera que isso era uma forma de mobilizar o voto. Lembrou que as políticas sobre a interrupção voluntária da gravidez podem estar em causa, para apelar ao voto. Paulo Raimundo entende que o voto útil é no PCP pois é um voto de protesto e de soluções e que obrigará o PS a cumprir todas as promessas que está a fazer agora. Afirmou que tudo o que foi positivo, o PCP está presente, lembrando o que aconteceu em 2015 para derrubar a direita. Identificou que o problema, na visão dos comunistas, é quando o PSD e o PS se assemelham, nomeadamente nos interesses dos grupos económicos e na ausência do melhoramento da legislação laboral. Contudo, não excluiu acordos com o PS. A propósito da habitação e as propostas do PS, a líder do Bloco de Esquerda considera que tudo é positivo desde que ajude realmente as famílias que não conseguem pagar o empréstimo. Apesar disso, prefere propostas que façam parar a subida dos preços das casas, propondo por isso limites às rendas especulativas e regras para travar essa subida. O BE propõe a intervenção da Caixa Geral de Depósitos, de forma a que esta baixe os seus juros, e medidas para aumentar a oferta, proibindo a venda de casas a não residentes, protegendo as rendas e controlar o alojamento local. A este respeito, Paulo Raimundo criticou as propostas apresentadas pelo PS pois não resolvem as questões de fundo e por protegerem os fundos imobiliários e a banca, lembrando que esta última tem lucros de 12 mil milhões de euros de lucros por dia. Considerando que, o esforço que se faz sobre as políticas da habitação, deve ser feito sobre receber parte desses lucros que banca obtém. O líder do PCP lamentou a ausência do tema da cultura dos debates, esperando haver mais abordagem. Mariana Mortágua concordou com Paulo Raimundo, enunciando o problema do Museu do Traje onde chove dentro do edifício. O debate prosseguiu para responder à pergunta da moderadora, sobre as diferenças entre BE e PCP. A líder do Bloco lembrou as convergências, nomeadamente com a realização dos compromissos assumidos em 2015 e em relação à legislação laboral e na habitação. Apesar disso, Mariana Mortágua apontou as diferenças sobre o tema da eutanásia, onde o PCP é assumidamente contra, assim como terem considerações diferentes no plano internacional. A esse respeito, a líder do BE lembrou as posições do PCP sobre a invasão da Rússia na Ucrânia e no apoio dos regimes da China e de Angola, onde, neste último, vigorou uma oligarquia e que usou Portugal para roubar dinheiro aos angolanos. Paulo Raimundo concordou divergir do BE, dando o exemplo de como o Bloco olha para o projeto europeu. Sobre a eutanásia, acha que é "uma situação muito complexa", não estando afastada a reflexão sobre essa matéria e não dando como um assunto encerrado. Sobre a forma como Portugal deve abordar o escalar da guerra na Ucrânia, Mariana Mortágua defende que União Europeia deve ter uma voz própria em matéria geopolítica e em matéria de cooperação para a defesa, justificando a saída da NATO e suas consequências. Aproveitou para criticar a União Europeia por ajudar a Líbia ou a Turquia a terem uma política que não respeita direitos humanos face aos imigrantes e refugiados quando os procuram. Já Paulo Raimundo acredita que "as forças da paz" não vão permitir que nos deparemos com esse possível escalar da guerra. Criticou a União Europeia por ser um interveniente direto da guerra e que deve agora sentar-se com os EUA, Rússia e NATO para resolverem o problema. Sobre a saída da NATO invocou a Constituição da República Portuguesa. Mariana Mortágua brincou, afirmando que ela e Paulo Raimundo têm a mesma Constituição e lembrou que os orçamentos sobre a Defesa têm aumentado todos os anos. A líder do BE também trouxe à colação as suspeitas que incidem sobre negócios mal explicados no Ministério da Defesa, defendendo maior transparência sobre como Portugal está a gastar esse dinheiro, fugindo à questão central. Paulo Raimundo terminou o debate afirmando que o que é necessário é a valorização das carreiras e das profissões, exigindo respeito por isso. Concluindo por dizer que é essa valorização que vai ajudar ao funcionamento do país, desde os militares aos médicos.
